José Luiz Braga defende abordagem diferenciada sobre crítica

por Henrique Fendrich

Como parte do II Ciclo de Debates sobre Jornalismo e Novas Produções Universitárias, que nessa edição tem como tema “O Andar da Crítica: Atuações Qualificadas Sobre a Mídia”, a Unibrasil promove nessa quarta-feira (1º/10) uma palestra, aberta ao público, com o professor José Luiz Braga, da Unisinos/RS. Braga é um dos maiores pesquisadores brasileiros em crítica midiática Em 2006, ele lançou o livro “A Sociedade Enfrenta Sua Mídia – Dispositivos Sociais de Crítica Midiática” (Paulus).

O conceito que Braga atribui à crítica vai muito além daquele texto que sai em jornal ou revista, comentando livros, discos ou filmes. Também vai além da crítica que se faz por meio trabalhos universitários. O que o professor defende é a existência de um terceiro grupo, responsável pelo abordagem inédita em sua pesquisa: “Trata-se das críticas feitas por todos os setores sociais”. As pessoas conversam sobre o que consomem e, dessa forma, seriam capazes de “enfrentar” a mídia – o que nem sempre significa se opor, mas reagir criticamente em relação a ela.

A existência de outros tipos de crítica não significa que uma tenha mais valor que outra. “É claro que os três ambientes, crítica jornalística, acadêmica e de sociedade, se mesclam e podem se apoiar mutuamente”. A aproximação das críticas é inclusive incentivada por Braga: “Um bom caminho de produtividade da crítica seria justamente ampliar o diálogo entre as críticas da sociedade e as críticas especializadas”. Os comentários críticos da imprensa e da universidade poderiam, então, ajudar a aperfeiçoar a crítica da sociedade, facilitando a sua aprendizagem sobre a produção e a criação da mídia. Esses aspectos deverão ser abordados durante a palestra na Unibrasil, quarta-feira às 19 horas no auditório do Bloco 1 da faculdade.

Braga entende que a crítica especializada deve auxiliar na orientação da população, mas sem procurar convertê-la. “Uma boa crítica deveria também contribuir para ‘ir além do julgar’. E mais ainda, ir além de fazer ‘acreditar no crítico'”. Não se espera, portanto, que o crítico fique com a última palavra, mas que auxilie o debate na sociedade, buscando o seu aperfeiçoamento. Para conseguir isso, Braga diz que não é necessário fazer críticas eruditas ou pretensiosas: basta trabalhar os produtos e os processos que serão criticados com inteligência e simplicidade. “E, se possível, ironia”. Para tornar a crítica compreensível a um maior número de pessoas, o ideal seria buscar falar a língua daquelas que não estão habituadas com o tema – e assim, fornecer a elas conhecimento para que reflitam sobre a mídia.

Mas os dispositivos de crítica hoje no Brasil são vistos como pouco abrangentes, e as discussões como muito superficiais. Essa situação seria reflexo da baixa valorização da educação no país. E para modificá-la, o professor diz que é preciso gerar mais debates televisuais e radiofônicos que discutam a mídia e seus processos. Dessa forma, a população teria mais condições de compreender e então criticar a produção midiática, indo além das tradicionais classificações “bom ou ruim”. Braga cita o exemplo do programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, que acredita mostrar de um modo interessante como se faz determinado tipo de reportagem, embora não seja o que habitualmente se chama de crítica. “Um público geral que aprenda tais processos pode passar a ser mais exigente quanto ao que sua mídia lhe oferece, pode ser mais crítico e interpretar com mais rigor”. Assim, a crítica da sociedade ganharia em profundidade.

Um problema detectado pelo professor é justamente a separação das críticas em dois grupos bem definidos: aqueles que defendem determinado produto, e aqueles que são contrários a ele. Braga diz que esse comportamento tem pouca capacidade produtiva. Essa divisão seria ainda mais visível nas mídias recentes, ainda em evolução, como a internet. “As críticas tendem a ser mais maniqueístas. Ou tudo é bom, as ‘novas mídias’ nos salvarão, ou tudo é mau, as ‘novas mídias’ estão destruindo a sociedade”. Essa crítica tende a evoluir com o tempo, conforme os meios consigam se estabilizar. A partir daí, a tendência é se concentrar em produtos específicos, fazendo críticas mais qualitativas e com menos julgamentos pessoais.

Da mesma forma, existe o risco de fazer uma crítica que é “mera denúncia indignada”. Isso seria visível na crítica de televisão, por exemplo, no momento em que se critica o uso excessivo de cenas de sexo ou de violência. Embora essas características devam ser consideradas criticamente, a indignação com que são tratadas pode levar, segundo Braga, a críticas conservadoras e intolerantes, que buscam primeiro “pregar aos convertidos”, e não estimulam o debate na sociedade.

Em sua palestra na Unibrasil, Braga deve ressaltar a importância dos profissionais de mídia em “oferecer produtos que respeitem a inteligência dos usuários – e que estimulem sua percepção do mundo e dos processos político-sociais e culturais”. Nesse sentido, entender as críticas de sociedade seria algo fundamental para refletir sobre os processos da crítica especializada.

Serviço – Palestra “A Sociedade Enfrente a Sua Mídia”
Professor Dr. José Luiz Braga (Unisinos/RS)
Dia: 1º/10/2008
Horário: 19h
Local: Auditório do Bloco 1 da Unibrasil
Endereço: Rua Konrad Adenauer 442, Tarumã, Curitiba.

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